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American Gods

Mais que um novo episódio, American Gods (Deuses Americanos) entrega um segundo melhor episódio. Abusando da criatividade dos roteiristas da série e da obra criada por Neil Gaiman, The Secret of Spoon mostra toda potencialmente da série nas mãos de Bryan Fuller e Michael Green. No episódio anterior, somos apresentados ao ‘azarado’ Shadow Moon, um presidiário que está prestes a ser libertado da prisão, mas que nos últimos dias de sua permanência, recebe a notícia que sua esposa morreu em um acidente de carro. Sem imaginar tudo que acontecia em sua ausência, Shadow conhece um misterioso senhor, chamado Wednesday que lhe oferece um emprego. Este episódio que serviu para apresentar basicamente o plot da série e seus personagens excêntricos, American Gods apresentou um visual impecável balanceado com cenas e uma história interessante.

Ainda sem entender toda movimentação em torno de seu novo chefe, Shadow retorna para o America Motel, totalmente quebrado (ele foi espancado pelos capangas de Tecnoboy no episódio anterior). As nuances que este episódio apresenta são relativamente novas. A busca por uma visão mais poética da série chama atenção por não deixar todo o plot do episódio cansativo e sua linguagem um pouco mais lenta, seja no desenvolvimento quanto nas ações, revela uma preocupação em habituar o telespectador com o novo.

Assim como no episódio anterior, temos um prólogo, mostrando uma cena em um navio negreiro, onde um dos escravos evoca Anansi, interpretado por Orlando Jones. As sequências a partir deste momento não podem ser descritas, apenas vivenciadas pelo telespectador da série. A defesa do personagem de Orlando Jones não é menos que sensacional, seu domínio do personagem, causado naturalmente pela sua experiência na TV e nos cinemas, tornam a cena, uma das melhores do autor e digna de prêmios. A cena é muito bem construída, os diálogos são inteligentes, ainda que envolva muita ficção, a série está sabendo mesclar muito bem, o real da fantasia, aproveitando o momento para fazer uma crítica social.

Bilquis, a excêntrica deusa que devora homens (e mulheres) pela sua vagina. A personagem que ainda não demonstrou qual sua importância ao desenvolvimento da trama vem sendo tratada com pouco destaque, onde suas aparições mais revelam sobre sua ‘excentricidade’ do que pela sua importância na série. São poucos os diálogos da personagem, onde seus momentos de ápices geralmente estão associados ao seu ‘tesão’ em ser adorada. Seu desenvolvimento provavelmente está sendo postergado, para dar mais dinâmica à construção da relação entre Shadow e Wednesday.

O episódio ainda conta com a aparição de novos deuses, o que mostra quão rico é este universo criado por Neil Gaiman. Czernobog aparece no episódio, mostrando que pode ser um dos deuses que darão relativo trabalho ao plano do chefe de Shadow e novamente há um discurso com mensagens subliminares sobre a condição do negro na sociedade. A série mostra-se com interesse em discutir alguns temas que levem o telespectador a uma crítica social e que não seja vista como um mero entretenimento, seguindo parte do enredo do filme.

A transmissão quase simultânea por diversas partes do mundo está contribuindo para o desempenho da série. Sendo exibida com um delay de 24 horas, American Gods reafirma o seu potencial de uma das melhores estreias de 2017, e até mesmo tornando-se uma das maiores surpresas, desenvolvendo seus personagens na medida certa e fluindo sua trama com extremo bom gosto. Bryan Fuller e Michael Green mostram-se eficazes e dão exemplo de como prender o público com suas criações, que de algum modo conseguem criar uma linguagem própria, sem apresentar mais do mesmo.

Nota: ✩✩✩✩✩

American Gods, Deuses AmericanosTítulo: American Gods (Deuses Americanos)
Episódio: 1X02 –  The Secret of Spoons
Exibição: Starz (EUA) | Amazon Prime Vídeo (Brasil)
Lançamento: 7 de Maio de 2017
Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Emily Browning, Pablo Schreiber, Yetide Badaki, Bruce Langley, Crispin Glover, Jonathan Tucker, Cloris Leachman, Peter Stormare, Chris Obi, Mousa Kraish, Gillian Anderson, Omid Abtahi, Orlando Jones, Demore Barnes, Dane Cook, Kristin Chenoweth, Corbin Bernsen, Jeremy Davies e Beth Grant
Direção: David Slade
Roteiro: Bryan Fuller e Michael Green
Produtores: Bryan Fuller, Michael Green, Neil Gaiman, Craig Cegielski, Stefanie Berk e Thom Beers

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Administrador e criador do Blog Combo Pop. Responsável pelas postagens. Fã de Star Wars e Star Trek, viciado em séries, animes e quadrinhos!